Destaque da COP30

11/19/2025

Destaque da COP30

Pressão para que esta Cimeira do Clima Conte

A COP30 é a 30.ª cimeira anual da ONU sobre o clima, que desta vez terá lugar em Belém, Brasil.

COP significa Conferência das Partes (sim, a sério), e reúne quase 200 países para negociar sobre:

  • Metas de redução de emissões: quem reduz o carbono e com que rapidez
  • Financiamento climático : países ricos a financiar os mais pobres para se tornarem verdes
  • Regras comerciais: potenciais taxas de carbono sobre importações
  • Compromissos tecnológicos: quais as tecnologias verdes que são priorizadas

Estas cimeiras frequentemente ficam aquém de grandes avanços que movimentem os mercados. Mas este ano tem um peso extra: marca 10 anos desde o Acordo de Paris, o último grande compromisso climático global.

Financiamento Climático: uma Questão de 1,3 Biliões de Dólares

Os países em desenvolvimento estão a apresentar o que pode ser o maior plano de investimento do mundo: mobilizar $1.3 trillion todos os anos até 2035 para se tornarem verdes e adaptarem-se às alterações climáticas.

Esta não é uma meta nova — é uma aspiração já incorporada no último acordo da COP, onde as nações mais ricas prometeram $300 billion e deixaram o número maior como um objetivo desejável. Agora, em Belém, o foco está em como transformar essa aspiração em fluxos reais de capital.

Onde o dinheiro é necessário:

  • Energia limpa: parques solares, turbinas eólicas, redes mais inteligentes, armazenamento de baterias
  • Tecnologia de adaptação: agricultura resistente à seca, cidades resistentes a inundações, sistemas de alerta precoce

Promessas de Poluição: Os Novos Planos de Ação Climática

Outro grande foco na COP30 é a divulgação das NDCs atualizadas, Contribuições Nacionalmente Determinadas. Estes são os planos de ação climática de cada país ao abrigo do Acordo de Paris, mostrando quanta poluição pretendem reduzir até 2035 para manter o aquecimento global perto de 1.5°C.

As NDCs não são apenas compromissos; moldam políticas reais: subsídios, taxas de carbono, regras de poluição e normas de reporte empresarial.

Para investidores de longo prazo, funcionam como um roteiro para onde as economias se dirigem na próxima década.

Altos Dirigentes dos EUA e da China Não Comparecem na COP30

Os líderes dos EUA e da China — os maiores emissores do mundo — não vão comparecer. A ausência dos Presidentes Trump e Xi enfraquece o impulso político por trás de quaisquer acordos, especialmente sobre financiamento climático e padrões globais.

Também sinaliza um menor envolvimento dos EUA precisamente quando muitas empresas já estão a abandonar ou a reduzir os seus compromissos ESG (=Ambiental, Social e Governança).

Para os investidores, isto significa mais incerteza política, coordenação mais lenta e uma maior probabilidade de sinais contraditórios das duas maiores economias do mundo.

Quais Empresas Podem Ganhar ou Perder?

O resultado da COP30 decidirá o equilíbrio: se as conversações estagnarem, as empresas de combustíveis fósseis beneficiam do status quo. Mas se houver progresso, os vencedores e perdedores mudam drasticamente.

Campo Verde: empresas de energia solar e eólica, fabricantes de baterias, empresas de modernização de redes, cadeias de abastecimento de VE, bombas de calor, hidrogénio verde, tecnologia de captura de carbono, fornecedores de dados climáticos e construtores de infraestruturas de adaptação.

Campo Carbono: produtores de combustíveis fósseis, agricultura intensiva em gado e indústria pesada com descarbonização dispendiosa. Algumas seguradoras enfrentam riscos crescentes, embora um forte poder de fixação de preços ajude.

Os Investidores Devem Sequer Preocupar-se?

Sim — mas apenas com uma visão de longo prazo.

É improvável que os mercados oscilem com as manchetes da COP, a menos que o Brasil consiga de alguma forma conduzir quase 200 países a um acordo climático juridicamente vinculativo e com linguagem forte.

Mas as políticas moldadas aqui influenciam impostos, subsídios, regulamentação e despesa pública durante anos. Isso afeta quais setores obtêm financiamento mais barato, quais enfrentam novos custos de conformidade e para onde os governos direcionam o investimento. Estas escolhas inclinam silenciosamente as probabilidades, e os valores das carteiras.