Factos sobre o Petróleo Bruto

1/5/2026

Factos sobre o Petróleo Bruto

A Política do Barril por Detrás da Mudança de Poder

Os EUA ordenaram ataques aéreos à Venezuela e capturaram o Presidente Nicolás Maduro e a sua esposa numa operação de forças especiais no sábado. A fotografia divulgada pela Casa Branca mostrava Maduro vendado, transportado por uma embarcação militar dos EUA para Nova Iorque para enfrentar acusações de crimes de armas e drogas.

Embora a reação inicial do mercado tenha sido calma, a queda de Maduro deverá ter consequências de longo alcance, especialmente no petróleo — do qual a Venezuela possui as maiores reservas comprovadas do mundo.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que empresas americanas iriam investir na Venezuela para modernizar a sua infraestrutura petrolífera, enquanto os EUA iriam "governar o país" até uma transição de poder adequada.

Factos sobre o Petróleo Bruto

Nem Todo o Petróleo É Igual

Graças ao boom do petróleo de xisto, os EUA têm sido o maior produtor mundial de petróleo desde 2018. Então, porque quereriam petróleo bruto venezuelano?

Pense no petróleo bruto como um espectro em vez de apenas barris de lama uniforme. Num extremo, temos o petróleo leve doce, como o petróleo de xisto dos EUA ou o Brent do Mar do Norte. É fino como azeite e baixo em enxofre. É fácil de transformar em gasolina e tem um preço mais elevado.

No outro extremo está a especialidade da Venezuela: o petróleo pesado ácido. Este é espesso como melaço e carregado de enxofre. São necessárias refinarias especializadas e dispendiosas para processar esta substância viscosa, mas com o equipamento adequado, pode transformá-la em grandes volumes de gasóleo, combustível de aviação e asfalto — materiais que alimentam o transporte marítimo e a construção a nível global.

Como os Investimentos Antigos Moldam o Comércio de Petróleo

Os EUA são simultaneamente um dos principais importadores e exportadores de petróleo bruto. São exportadores líquidos desde 2020, mas ainda compram enormes volumes de petróleo. Porquê? Um legado de infraestruturas.

Antes do boom do xisto, os EUA temiam ficar sem petróleo leve "fácil". As empresas modernizaram as suas refinarias para conseguirem processar os petróleos mais pesados e com maior teor de enxofre vendidos no mundo.

Esses investimentos dispendiosos dos anos 1990–2000 ainda ditam a estratégia atual: vender petróleo leve premium no estrangeiro e processar petróleo pesado mais barato e complexo em refinarias sofisticadas para produzir produtos de alta margem.

Facto rápido: É quase impossível obter licenças para construir uma nova refinaria nos EUA, e as empresas petrolíferas estão cautelosas com o crescimento dos veículos elétricos e da energia verde. Nenhuma nova instalação de grande dimensão foi construída desde 1977!

Factos sobre o Petróleo Bruto

Transformar o Petróleo Venezuelano em Lucro

A Venezuela detém cerca de 17% das reservas mundiais conhecidas de petróleo, mas a produção caiu para cerca de um milhão de barris por dia — apenas 1% da oferta global, face aos três milhões no início dos anos 2000.

Antes do embargo às exportações dos EUA e do último ataque, a maior parte era utilizada localmente ou exportada para a China.

Aumentar a produção levaria anos e milhares de milhões de dólares em investimentos.

Primeiro, a Casa Branca precisa de convencer as empresas de que o seu capital está seguro. Com o futuro político da Venezuela incerto após Maduro, isso é difícil de vender. A Chevron é a única empresa americana ainda a operar na Venezuela, com uma licença do Tesouro dos EUA. Gigantes petrolíferos como a ExxonMobil e a Conoco Phillips já foram prejudicadas no passado.

Factos sobre o Petróleo Bruto

Aprenda o Jargão dos Mercados Petrolíferos

Como o petróleo pesado ácido é mais difícil de processar, normalmente é vendido por menos do que a variedade leve doce. Esta diferença de preço chama-se diferencial ácido. Se os EUA assumirem o controlo do petróleo venezuelano, garantem um enorme fornecimento deste petróleo "com desconto".

Se as empresas americanas forem bem-sucedidas na modernização das operações petrolíferas venezuelanas, isto poderá aumentar o diferencial ácido, uma vez que mais "lama" fluirá para o mercado, pressionando os preços para baixo. Isto poderá prejudicar outros exportadores de petróleo pesado ácido, por exemplo a Rússia e o Canadá.

O crack spread indica aos investidores exatamente quanto lucro uma refinaria obtém por cada barril que "processa", transformando matérias-primas em produtos acabados como gasolina e gasóleo.

Os EUA visam um crack spread amplo para as suas refinarias: comprar petróleo pesado barato da Venezuela enquanto vendem o gasóleo refinado a preços globais plenos.

Iraque 2003 vs. Venezuela 2026

Em 2003, os preços do petróleo incluíam um prémio de guerra. Quando a invasão do Iraque começou e os piores receios de interrupção se dissiparam, os preços caíram, subindo depois quando os ataques a oleodutos atrasaram a recuperação do país.

A Venezuela é o oposto. Anos de declínio e sanções já reduziram a produção, pelo que não há prémio de medo a desfazer, e os benchmarks do petróleo Brent e WTI mantiveram-se calmos. O petróleo do Iraque era maioritariamente mais leve e fácil de refinar, ao contrário do petróleo pesado da Venezuela.

A questão agora é quanto petróleo pesado poderá regressar ao mercado.

O desafio do Iraque foi físico — restaurar a segurança e reconstruir infraestruturas. O da Venezuela é financeiro e legal — levantar sanções, oferecer condições em que os investidores possam confiar e resolver reclamações antigas. Se a sua produção crescer, os primeiros sinais aparecerão na diferença de preço entre tipos de petróleo bruto e nas margens das refinarias, não num movimento abrupto nos principais benchmarks.