
Saída antecipada desencadeia uma corrida de alto risco pelo cargo de topo da Europa
29/10/202630/10/2026


A empresa-mãe da Google, Alphabet, registou o seu pior dia de negociação de sempre na quinta-feira. As ações afundaram 13%, eliminando cerca de 500 mil milhões de dólares em valor de mercado, à medida que os investidores recuaram perante a sua enorme fatura com IA.
A Alphabet gastou mais de 51 mil milhões de dólares em despesas de capital no último trimestre, com o fluxo de caixa livre a tornar-se negativo em 9 mil milhões de dólares. Isto significa que a empresa gastou muito mais do que aquilo que gerou.
E não é tudo: a IA pode estar a corroer a máquina que financia todos esses gastos. A Google admitiu que as pesquisas conversacionais no seu "modo IA" geram menos receitas publicitárias do que as pesquisas tradicionais. As receitas de publicidade nas pesquisas cresceram apenas 12% face ao ano anterior, para 63 mil milhões de dólares, abaixo das expectativas e marcando o terceiro trimestre consecutivo de abrandamento do crescimento.

A má receção estendeu-se muito para além da Alphabet e da Amazon. Os investidores estão seriamente preocupados com a forma como as grandes tecnológicas estão a queimar liquidez e a recorrer constantemente aos investidores em busca de dinheiro.
Seguiu-se a Intel. A fraca procura de PC, os problemas de produção e os elevados gastos fizeram as suas ações cair cerca de 25% na pré-abertura de sexta-feira, somando mais uma vítima à derrocada.

As empresas tecnológicas continuam a saber crescer e gerar lucros. O negócio da cloud, em particular, está em forte expansão. A Google Cloud mais do que duplicou as receitas, o Azure da Microsoft cresceu 48% e o líder de mercado — o AWS da Amazon — expandiu-se 39% em termos homólogos.
O problema é que construir infraestrutura suficiente para satisfazer essa procura está a consumir montantes extraordinários de capital. Os hiperescaladores recorrem cada vez mais a obrigações e a novas ações para continuar a construir centros de dados, comprar chips e garantir eletricidade.
A Alphabet expôs a possibilidade mais preocupante de todas: as empresas poderão ter de gastar centenas de milhares de milhões em IA mesmo quando a tecnologia ameaça os seus atuais motores de lucro. Está a gastar para canibalizar o seu próprio negócio, de forma a sobreviver na era da IA.